Carta pastoral do Sínodo Metropolitano na Festa dos Pentecostes
Carta
pastoral do Sínodo Metropolitano
da Metrópolia Ortodoxa Romena da Europa Ocidental e Meridional
por ocasião da luminosa Festa da Descida do Espírito Santo
Ao Reverendíssimo e Venerabilíssimo Clero,
ao Corpo monástico e ao povo crente no seio
da Metrópolia Ortodoxa Romena da Europa Ocidental e Meridional,
Graça, misericórdia e paz do misericordioso Deus,
e da nossa parte, paternas bênçãos.
1 Bd du Général Leclerc
91470 Limours – França
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Metrópolia
Ortodoxa Romena da Europa Ocidental e Meridional
– PENTECOSTES –
O MISTÉRIO DO AMOR QUE UNE E RENOVA O MUNDO
«E todos ficaram cheios do Espírito Santo» (Actos 2, 4).
Reverendíssimos
e Venerabilíssimos Padres,
Amados fiéis,
A Festa da Descida do Espírito Santo revela ao mundo o cumprimento da
promessa de Cristo e o início da vida da Igreja. O Livro dos Actos dos
Apóstolos narra este momento com uma palavra simples e ao mesmo tempo
comovente: «E todos ficaram cheios do Espírito Santo» (Actos 2, 4). Não apenas
os apóstolos, não apenas os mais poderosos ou os mais dignos, mas todos os que
estavam reunidos em oração se tornaram participantes da presença de Deus.
Mas o que significa estar cheio do Espírito Santo? Significa, antes de
tudo, descobrir que Deus não está longe, mas vivo e activo nas profundezas do
coração humano. Significa sentir, com todo o ser, que és amado por Deus. Não
como uma simples ideia ou consolo passageiro, mas como uma realidade que
ilumina e transforma a vida. Por isso, o santo Apóstolo Paulo diz: «O amor de
Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado»
(Romanos 5, 5).
Este é o primeiro grande mistério do Pentecostes: o homem já não vive a
solidão da separação de Deus, mas a alegria da comunhão com Ele. O Espírito
Santo desce para curar o medo, para iluminar as trevas do coração e para
transformar a vida do homem por dentro. Os apóstolos, que antes estavam
encerrados e temerosos, tornam-se pregadores da Ressurreição e portadores do
amor de Cristo até aos confins do mundo.
O prodígio do falar em línguas no dia do Pentecostes revela também
outro mistério profundo. Homens vindos de muitas nações e que falavam línguas
diferentes ouviam os apóstolos, cada um na sua própria língua. Esta imagem
ilumina de modo misterioso o contraste entre a Torre de Babel e a Descida do
Espírito Santo.
Em Babel, os homens falavam a mesma língua e contudo já não se
entendiam, porque cada um buscava a própria glória: «Vinde, edifiquemos uma
cidade e uma torre cujo cume chegue ao céu, e façamo-nos famosos» (Génesis 11,
4). No dia de Pentecostes, os apóstolos falam línguas diferentes, mas todos os
entendem, porque não se pregam a si mesmos, mas anunciam «as maravilhas de
Deus» (Actos 2, 11). Não buscam o poder, nem a glória humana, mas o serviço e a
doação. Onde o egoísmo separa, o Espírito Santo traz comunhão. Onde o homem
procura exaltar-se a si mesmo, surge a divisão. Mas onde o amor se torna o
fundamento da vida, a palavra chega ao coração, mesmo além de qualquer
fronteira ou língua.
A mensagem do Pentecostes é de grande actualidade para o mundo em que
vivemos hoje. Nunca os homens comunicaram tanto como agora e, no entanto,
tantos se sentem sós, incompreendidos e alheios uns aos outros. No meio do
ruído contínuo do mundo moderno, o homem arrisca perder precisamente a
verdadeira comunhão. Quando a palavra é usada para dominar, para ferir ou para
buscar a própria afirmação, o mundo aproxima-se de novo de Babel. O Espírito
Santo vem, porém, para mudar esta lógica do egoísmo e para recolocar no centro
da vida a lei do amor. Ele transforma a fala vazia em palavra que consola e
edifica, e a proximidade exterior em verdadeira comunhão entre os homens.
Cada coisa que fazemos pode tornar-se Babel ou Pentecostes. É Babel
quando o homem se fecha no seu próprio egoísmo e busca sobretudo a glória, o
poder ou a afirmação de si mesmo. Mas onde o coração se abre ao amor, à escuta
e ao cuidado do próximo, começa a agir o mistério do Pentecostes, a comunhão do
Espírito Santo. Pois o Espírito de Deus não vem apenas para mudar algo à
superfície da nossa vida, mas para renovar o homem interior, para curar a
divisão do coração e para acender na alma o amor que torna possível a
verdadeira comunhão entre os homens.
Amados fiéis,
Neste ano, proclamado no Patriarcado Romeno como «Ano comemorativo da
pastoral da família cristã» e «Ano comemorativo das santas mulheres do
calendário», a Festa do Pentecostes revela-nos ainda mais claramente que a
verdadeira vida da família e a verdadeira beleza da alma humana brotam da acção
do Espírito Santo.
Metrópolia
Ortodoxa Romena da Europa Ocidental e Meridional
Pois onde o Espírito de Deus é recebido e conservado, o amor
aprofunda-se, a paciência frutifica e a comunhão entre os homens fortalece-se.
A família cristã permanece o primeiro lugar onde o homem aprende o
amor, o perdão, a oração e a alegria de viver juntos. Num mundo em que os laços
entre as pessoas se tornam cada vez mais frágeis, a família abençoada por Deus
é chamada a ser espaço de paz, de confiança e de crescimento espiritual. O
Espírito Santo é Aquele que preserva a unidade dos corações e transforma o lar
cristão numa pequena igreja, onde a fé se transmite naturalmente, de coração em
coração, pela oração, pelo amor e pelo sacrifício.
Ao mesmo tempo, a memória das santas mulheres do calendário recorda-nos
quão profunda e fecunda é a acção da fé vivida com humildade e constância.
Desde as mulheres miroforíferas até às mães, mártires e monjas que iluminaram a
história da Igreja, vemos como o amor puro e a fé inabalável se tornam
portadores da graça de Deus no mundo. Elas souberam conservar viva a oração,
fortalecer a família e testemunhar o Evangelho mesmo em tempos de provação.
E hoje também, nas nossas famílias e comunidades, muitas mulheres
cristãs carregam em silêncio esta obra do amor e da fé: mães que criam os
filhos no amor a Deus, avós que conservam viva a memória da fé, esposas que
sustentam pela oração e pela paciência a vida da família, jovens que buscam a
beleza de uma vida pura e luminosa em Cristo. Por tudo isto, o Espírito Santo
continua a agir misteriosamente no mundo, trazendo luz, paz e bênção.
Amados fiéis,
Como em cada ano, por ocasião desta Festa geradora de vida e de
santidade, organiza-se uma colecta para o apoio dos projectos pastorais,
missionários e sociais da nossa Metrópolia. Exortamo-vos com amor paternal a
apoiar, cada um segundo as suas posses e segundo o amor do seu coração, a obra
da nossa Igreja na Europa Ocidental e Meridional, para que a luz do Evangelho e
a comunhão da fé continuem a frutificar nas nossas comunidades.
São João Crisóstomo diz que «nada torna a Igreja mais poderosa do que o
amor activo através da esmola», porque onde os homens aprendem a dar por amor,
o Espírito Santo age e une os corações na mesma comunhão da fé e do serviço.
Cada dádiva oferecida com boa vontade torna-se testemunho do amor
activo e apoio para os que se encontram em necessidade, para as famílias
provadas, para as crianças e jovens que buscam amparo espiritual e para todos
os projectos pelos quais a Igreja permanece próxima dos homens.
Que a Graça do Santíssimo Espírito, que desceu sobre os Santos
Apóstolos em forma de línguas de fogo e encheu o mundo com a luz do
conhecimento de Deus, se estabeleça também nos nossos corações, trazendo paz,
unidade, sabedoria e renovação espiritual a todos os que O buscam com fé e com
amor!
Os vossos hierarcas e pastores e desejosos de todo o bem conducente à
salvação,
† O Metropolita
IOSIF
da Metrópolia
Ortodoxa Romena da Europa Ocidental e Meridional
† O Bispo
SILUAN
da Bispado
Ortodoxo Romeno de Itália
† O Bispo
NECTÁRIO
do Bispado
Ortodoxo Romeno da Irlanda e Islândia
† O Arcebispo
ATANÁSIO
da
Arquidiocese Ortodoxa Romena da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte
† O Bispo
TIMÓTEO
do Bispado
Ortodoxo Romeno de Espanha e Portugal
† MARC DE NEAMȚ
Bispo Auxiliar
da Arquidiocese Ortodoxa Romena da Europa Ocidental
† TEÓFILO DE
IBÉRIA
Bispo Auxiliar
do Bispado Ortodoxo Romeno de Espanha e Portugal
Dada na nossa residência de Paris, por ocasião da Festa da Descida do
Espírito Santo, 31 de Maio, ano da salvação de 2026.