Carta pastoral do Sínodo Metropolitano na Festa dos Pentecostes

 

Carta pastoral do Sínodo Metropolitano

da Metrópolia Ortodoxa Romena da Europa Ocidental e Meridional

por ocasião da luminosa Festa da Descida do Espírito Santo

Ao Reverendíssimo e Venerabilíssimo Clero,

ao Corpo monástico e ao povo crente no seio

da Metrópolia Ortodoxa Romena da Europa Ocidental e Meridional,

Graça, misericórdia e paz do misericordioso Deus,

e da nossa parte, paternas bênçãos.

1 Bd du Général Leclerc 91470 Limours – França

tel: (33) 1 64 91 59 24 ; fax: (33) 1 64 91 26 83; e-mail: cabinet@mitropolia.eu; site: www.mitropolia.eu

 

Metrópolia Ortodoxa Romena da Europa Ocidental e Meridional

– PENTECOSTES –

O MISTÉRIO DO AMOR QUE UNE E RENOVA O MUNDO

«E todos ficaram cheios do Espírito Santo» (Actos 2, 4).

Reverendíssimos e Venerabilíssimos Padres,

Amados fiéis,

A Festa da Descida do Espírito Santo revela ao mundo o cumprimento da promessa de Cristo e o início da vida da Igreja. O Livro dos Actos dos Apóstolos narra este momento com uma palavra simples e ao mesmo tempo comovente: «E todos ficaram cheios do Espírito Santo» (Actos 2, 4). Não apenas os apóstolos, não apenas os mais poderosos ou os mais dignos, mas todos os que estavam reunidos em oração se tornaram participantes da presença de Deus.

Mas o que significa estar cheio do Espírito Santo? Significa, antes de tudo, descobrir que Deus não está longe, mas vivo e activo nas profundezas do coração humano. Significa sentir, com todo o ser, que és amado por Deus. Não como uma simples ideia ou consolo passageiro, mas como uma realidade que ilumina e transforma a vida. Por isso, o santo Apóstolo Paulo diz: «O amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado» (Romanos 5, 5).

Este é o primeiro grande mistério do Pentecostes: o homem já não vive a solidão da separação de Deus, mas a alegria da comunhão com Ele. O Espírito Santo desce para curar o medo, para iluminar as trevas do coração e para transformar a vida do homem por dentro. Os apóstolos, que antes estavam encerrados e temerosos, tornam-se pregadores da Ressurreição e portadores do amor de Cristo até aos confins do mundo.

O prodígio do falar em línguas no dia do Pentecostes revela também outro mistério profundo. Homens vindos de muitas nações e que falavam línguas diferentes ouviam os apóstolos, cada um na sua própria língua. Esta imagem ilumina de modo misterioso o contraste entre a Torre de Babel e a Descida do Espírito Santo.

Em Babel, os homens falavam a mesma língua e contudo já não se entendiam, porque cada um buscava a própria glória: «Vinde, edifiquemos uma cidade e uma torre cujo cume chegue ao céu, e façamo-nos famosos» (Génesis 11, 4). No dia de Pentecostes, os apóstolos falam línguas diferentes, mas todos os entendem, porque não se pregam a si mesmos, mas anunciam «as maravilhas de Deus» (Actos 2, 11). Não buscam o poder, nem a glória humana, mas o serviço e a doação. Onde o egoísmo separa, o Espírito Santo traz comunhão. Onde o homem procura exaltar-se a si mesmo, surge a divisão. Mas onde o amor se torna o fundamento da vida, a palavra chega ao coração, mesmo além de qualquer fronteira ou língua.

A mensagem do Pentecostes é de grande actualidade para o mundo em que vivemos hoje. Nunca os homens comunicaram tanto como agora e, no entanto, tantos se sentem sós, incompreendidos e alheios uns aos outros. No meio do ruído contínuo do mundo moderno, o homem arrisca perder precisamente a verdadeira comunhão. Quando a palavra é usada para dominar, para ferir ou para buscar a própria afirmação, o mundo aproxima-se de novo de Babel. O Espírito Santo vem, porém, para mudar esta lógica do egoísmo e para recolocar no centro da vida a lei do amor. Ele transforma a fala vazia em palavra que consola e edifica, e a proximidade exterior em verdadeira comunhão entre os homens.

Cada coisa que fazemos pode tornar-se Babel ou Pentecostes. É Babel quando o homem se fecha no seu próprio egoísmo e busca sobretudo a glória, o poder ou a afirmação de si mesmo. Mas onde o coração se abre ao amor, à escuta e ao cuidado do próximo, começa a agir o mistério do Pentecostes, a comunhão do Espírito Santo. Pois o Espírito de Deus não vem apenas para mudar algo à superfície da nossa vida, mas para renovar o homem interior, para curar a divisão do coração e para acender na alma o amor que torna possível a verdadeira comunhão entre os homens.

Amados fiéis,

Neste ano, proclamado no Patriarcado Romeno como «Ano comemorativo da pastoral da família cristã» e «Ano comemorativo das santas mulheres do calendário», a Festa do Pentecostes revela-nos ainda mais claramente que a verdadeira vida da família e a verdadeira beleza da alma humana brotam da acção do Espírito Santo.

 

Metrópolia Ortodoxa Romena da Europa Ocidental e Meridional

Pois onde o Espírito de Deus é recebido e conservado, o amor aprofunda-se, a paciência frutifica e a comunhão entre os homens fortalece-se.

A família cristã permanece o primeiro lugar onde o homem aprende o amor, o perdão, a oração e a alegria de viver juntos. Num mundo em que os laços entre as pessoas se tornam cada vez mais frágeis, a família abençoada por Deus é chamada a ser espaço de paz, de confiança e de crescimento espiritual. O Espírito Santo é Aquele que preserva a unidade dos corações e transforma o lar cristão numa pequena igreja, onde a fé se transmite naturalmente, de coração em coração, pela oração, pelo amor e pelo sacrifício.

Ao mesmo tempo, a memória das santas mulheres do calendário recorda-nos quão profunda e fecunda é a acção da fé vivida com humildade e constância. Desde as mulheres miroforíferas até às mães, mártires e monjas que iluminaram a história da Igreja, vemos como o amor puro e a fé inabalável se tornam portadores da graça de Deus no mundo. Elas souberam conservar viva a oração, fortalecer a família e testemunhar o Evangelho mesmo em tempos de provação.

E hoje também, nas nossas famílias e comunidades, muitas mulheres cristãs carregam em silêncio esta obra do amor e da fé: mães que criam os filhos no amor a Deus, avós que conservam viva a memória da fé, esposas que sustentam pela oração e pela paciência a vida da família, jovens que buscam a beleza de uma vida pura e luminosa em Cristo. Por tudo isto, o Espírito Santo continua a agir misteriosamente no mundo, trazendo luz, paz e bênção.

Amados fiéis,

Como em cada ano, por ocasião desta Festa geradora de vida e de santidade, organiza-se uma colecta para o apoio dos projectos pastorais, missionários e sociais da nossa Metrópolia. Exortamo-vos com amor paternal a apoiar, cada um segundo as suas posses e segundo o amor do seu coração, a obra da nossa Igreja na Europa Ocidental e Meridional, para que a luz do Evangelho e a comunhão da fé continuem a frutificar nas nossas comunidades.

São João Crisóstomo diz que «nada torna a Igreja mais poderosa do que o amor activo através da esmola», porque onde os homens aprendem a dar por amor, o Espírito Santo age e une os corações na mesma comunhão da fé e do serviço.

Cada dádiva oferecida com boa vontade torna-se testemunho do amor activo e apoio para os que se encontram em necessidade, para as famílias provadas, para as crianças e jovens que buscam amparo espiritual e para todos os projectos pelos quais a Igreja permanece próxima dos homens.

Que a Graça do Santíssimo Espírito, que desceu sobre os Santos Apóstolos em forma de línguas de fogo e encheu o mundo com a luz do conhecimento de Deus, se estabeleça também nos nossos corações, trazendo paz, unidade, sabedoria e renovação espiritual a todos os que O buscam com fé e com amor!

Os vossos hierarcas e pastores e desejosos de todo o bem conducente à salvação,

† O Metropolita IOSIF

da Metrópolia Ortodoxa Romena da Europa Ocidental e Meridional

 

† O Bispo SILUAN

da Bispado Ortodoxo Romeno de Itália

† O Bispo NECTÁRIO

do Bispado Ortodoxo Romeno da Irlanda e Islândia

† O Arcebispo ATANÁSIO

da Arquidiocese Ortodoxa Romena da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte

† O Bispo TIMÓTEO

do Bispado Ortodoxo Romeno de Espanha e Portugal

† MARC DE NEAMȚ

Bispo Auxiliar da Arquidiocese Ortodoxa Romena da Europa Ocidental

† TEÓFILO DE IBÉRIA

Bispo Auxiliar do Bispado Ortodoxo Romeno de Espanha e Portugal

Dada na nossa residência de Paris, por ocasião da Festa da Descida do Espírito Santo, 31 de Maio, ano da salvação de 2026.

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